Ionizantes e Não Ionizantes
Introdução
As radiações electromagnéticas podem ter uma origem
natural ou artificial e são constituídas por fotões, partículas atómicas
possuidoras de energia cujo valor é proporcional à frequência radiada. Esta
característica crescente de energia levou à divisão do espectro
electromagnético em radiações ionizantes e não ionizantes abaixo e acima
do comprimento de onda de 100nm respectivamente (3x1015Hz). Ionizantes porque os níveis de
energia nestas frequências são tão elevados (>12eV) que conseguem ionizar átomos e
moléculas de matéria, por isso são extremamente perigosas porque podem
danificar a estrutura do ADN de um ser vivo.
Radiação Não Ionizante
Radiação emitida por linhas aéreas de energia de alta
tensão de (50Hz/60Hz), todos os sistemas de transmissão de rádio (9 kHz a 300
GHz), os infravermelhos das fibras ópticas (750nm a 1mm), a luz visível (400nm
a 750nm) e parte da radiação ultravioletas (100nm a 400nm).
São exemplos de fontes naturais de
radiação não ionizante, os raios produzidos pelas trovoadas e os raios
solares.
Os efeitos decorrentes da exposição a
radiações não ionizantes são:
· Directos:
electrocussão e efeitos térmicos (queimadura, envelhecimento da pele, cegueira,
etc.);
· Indirectos:
incêndio e explosão;
· Efeitos não
térmicos: uma categoria criada para os casos sem explicação aparente.
A radiação electromagnética não ionizante está
presente por todo lado, em casa no trabalho ou na rua, junto a sistemas
eléctricos, electrónicos e de sistemas de telecomunicações sem fios, telefone,
Internet, rádio, televisão terrestre, cabo, satélite, pelos raios solares,
etc.
A máxima radiação emitida por uma antena segue o seu
eixo num dos sentidos de forma análoga à de um foco de luz de uma lanterna e o
nível de radiação vai diminuindo na razão inversa do quadrado da distância
percorrida. Os dois efeitos conjugados garantem que os níveis de exposição à
radiação sejam, na grande maioria dos casos, relativamente fracos. Por de trás
e por de baixo das antenas os níveis de radiação são também mais fracos.
Com a introdução da tecnologia digital nos sistemas
rádio, os níveis de potência necessários à transmissão são substancialmente
menores que as empregues na tecnologia analógica das estações de radiodifusão de AM e de FM ainda em
funcionamento.
Os níveis de exposição da população às radiações não
ionizantes, nomeadamente as emitidas pelas antenas (0Hz a 300GHz ou comprimentos de onda >1mm) encontram-se regulamentados com base nos valores
máximos ICNIRP*, na Portaria nº 1421/2004
de 23 de Novembro, do Estado Português que transcreve a Recomendação Europeia
1999/519/CE e o seu controlo tutelado pelo ICP/ANACOM – Autoridade Nacional das
Comunicações.
(*) ICNIRP - International
Commission on Non-Ionizing Radiation Protection
Radiações Ionizantes
Do espectro das radiações ionizantes fazem parte as
ultravioletas (10nm a 100mm), as radiações alfa, beta e gama (Raio X) e raios
os cósmicos. Algumas substâncias naturais emitem radiação ionizante. O granito,
por exemplo, liberta um gás radioactivo, o radão, irmanado do urânio contido
no mesmo.
As radiações ionizantes são extremamente perigosas
pela capacidade de ionizar átomos e moléculas e assim poderem
danificar a estrutura celular do ADN de um ser vivo, causando cancros e
leucemias. As radiações Ionizantes são utilizadas na destruição de células cancerígenas em instalações
hospitalares.
O controlo destas Radiações Ionizantes encontra-se
regulamentado pelo Decreto-Lei nº222/2008 da República Portuguesa e tutelado
pelo ITN - Instituto Tecnológico Nuclear.
Considerações Finais
Com este documento não se pretende afirmar que as
radiações electromagnéticas não ionizantes são inócuas nem o seu contrário.
Aparentemente estas radiações não estão na origem dos cancros contudo o seu
efeito térmico, para níveis excessivos, poderá acelerar o metabolismo de um já
existente. Nos laboratórios bioquímicos, as estufas servem
para acelerar o processo de replicação de células enquanto os frigoríficos
servem para atrasar.