sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Exposição a Radiações Electromagnéticas



Ionizantes e Não Ionizantes


Introdução

As radiações electromagnéticas podem ter uma origem natural ou artificial e são constituídas por fotões, partículas atómicas possuidoras de energia cujo valor é proporcional à frequência radiada. Esta característica crescente de energia levou à divisão do espectro electromagnético em radiações ionizantes e não ionizantes abaixo e acima do comprimento de onda de 100nm respectivamente (3x1015Hz). Ionizantes porque os níveis de energia nestas frequências são tão elevados (>12eV) que conseguem ionizar átomos e moléculas de matéria, por isso são extremamente perigosas porque podem danificar a estrutura do ADN de um ser vivo.

Radiação Não Ionizante

Radiação emitida por linhas aéreas de energia de alta tensão de (50Hz/60Hz), todos os sistemas de transmissão de rádio (9 kHz a 300 GHz), os infravermelhos das fibras ópticas (750nm a 1mm), a luz visível (400nm a 750nm) e parte da radiação ultravioletas (100nm a 400nm). 
São exemplos de fontes naturais de radiação não ionizante, os raios produzidos pelas trovoadas e os raios solares. 

Os efeitos decorrentes da exposição a radiações não ionizantes são:
·    Directos: electrocussão e efeitos térmicos (queimadura, envelhecimento da pele, cegueira, etc.);
·    Indirectos: incêndio e explosão;
·    Efeitos não térmicos: uma categoria criada para os casos sem explicação aparente.

A radiação electromagnética não ionizante está presente por todo lado, em casa no trabalho ou na rua, junto a sistemas eléctricos, electrónicos e de sistemas de telecomunicações sem fios, telefone, Internet, rádio, televisão terrestre, cabo, satélite, pelos raios solares, etc. 
A máxima radiação emitida por uma antena segue o seu eixo num dos sentidos de forma análoga à de um foco de luz de uma lanterna e o nível de radiação vai diminuindo na razão inversa do quadrado da distância percorrida. Os dois efeitos conjugados garantem que os níveis de exposição à radiação sejam, na grande maioria dos casos, relativamente fracos. Por de trás e por de baixo das antenas os níveis de radiação são também mais fracos. 
Com a introdução da tecnologia digital nos sistemas rádio, os níveis de potência necessários à transmissão são substancialmente menores que as empregues na tecnologia analógica das estações de radiodifusão de AM e de FM ainda em funcionamento.
Os níveis de exposição da população às radiações não ionizantes, nomeadamente as emitidas pelas antenas (0Hz a 300GHz ou comprimentos de onda >1mm) encontram-se regulamentados com base nos valores máximos ICNIRP*, na Portaria nº 1421/2004 de 23 de Novembro, do Estado Português que transcreve a Recomendação Europeia 1999/519/CE e o seu controlo tutelado pelo ICP/ANACOM – Autoridade Nacional das Comunicações.

(*) ICNIRP - International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection

Radiações Ionizantes 

Do espectro das radiações ionizantes fazem parte as ultravioletas (10nm a 100mm), as radiações alfa, beta e gama (Raio X) e raios os cósmicos. Algumas substâncias naturais emitem radiação ionizante. O granito, por exemplo, liberta um gás radioactivo, o radão, irmanado do urânio contido no mesmo.
As radiações ionizantes são extremamente perigosas pela capacidade de ionizar átomos e moléculas e assim poderem danificar a estrutura celular do ADN de um ser vivo, causando cancros e leucemias. As radiações Ionizantes são utilizadas na destruição de células cancerígenas em instalações hospitalares.
O controlo destas Radiações Ionizantes encontra-se regulamentado pelo Decreto-Lei nº222/2008 da República Portuguesa e tutelado pelo ITN - Instituto Tecnológico Nuclear.
  

Considerações Finais

Com este documento não se pretende afirmar que as radiações electromagnéticas não ionizantes são inócuas nem o seu contrário. Aparentemente estas radiações não estão na origem dos cancros contudo o seu efeito térmico, para níveis excessivos, poderá acelerar o metabolismo de um já existente. Nos laboratórios bioquímicos, as estufas servem para acelerar o processo de replicação de células enquanto os frigoríficos servem para atrasar. 




quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Segurança Eléctrica


A ligação à terra e o seu efeito


No universo, toda a matéria é constituída por átomos que procuram manter o seu equilíbrio electrostático natural, isto é, um igual número de cargas positivas e negativas. Sendo a massa do planeta terra constituída por uma amálgama de diferentes substâncias cujos átomos, no seu conjunto, procuram o equilíbrio electrostático isto faz com que a terra seja electricamente neutra. 
Um átomo perde a sua neutralidade quando ganha ou perde electrões por fricção, indução ou por contacto gerando um campo eléctrico ao seu redor.
Deve-se ter em conta que a atmosfera envolvente da terra, também contém átomos que interagem entre si e com os átomos da terra. Este fenómeno leva a que algumas cargas negativas da terra sejam atraídas para a ionosfera tornando o planeta ligeiramente positivo, o que para nós é irrelevante. A evidência da existência deste fenómeno são as descargas atmosféricas, vulgarmente conhecidas por trovoadas que a todo o momento ocorrem no planeta.
Deslocando-se o homem apoiado no chão isto faz com que normalmente o seu corpo permaneça ao potencial eléctrico da terra. Assim, para que possa existir segurança eléctrica é necessário assegurar que tudo aquilo que o homem possa tocar ou manipular tenha uma ligação à terra.
A forma de concretizar uma ligação à terra consiste em enterrar verticalmente e em profundidade no solo um eléctrodo de terra ligado por um cabo à barra de terras da instalação eléctrica ou directamente a um pára-raios. Numa instalação que se quer equipotencializada só deve existir uma única rede de circuitos de terra.
Os pára-raios são dispositivos montados em mastros no topo dos edifícios ou em torres de antenas, ligados directamente a um eléctrodo de terra por um condutor de terra independente para que as correntes das descargas atmosféricas tenham um caminho próprio e preferencial para a terra, protegendo a infra-estrutura onde se encontra instalado.
Na ausência de correntes de descarga à terra, o eléctrodo de terra estará ao potencial da terra mas no caso de existirem correntes de descarga os valores das correntes e da resistência de terra vão determinar qual o valor do potencial do eléctrodo de terra no momento da descarga, devendo por isso, o valor da resistência de terra ser tão baixo quanto seja possível para evitar a existência de potenciais elevados.
Com a obrigatoriedade do uso de dispositivos de protecção diferencial à entrada das instalações eléctricas de baixa tensão em regime de terra TT, pode-se afirmar que não existe um valor de referência para o valor da resistência de terra, o que é exigido é que o seu valor deve garantir a actuação inequívoca do dispositivo de protecção diferencial contra contactos indirectos considerando uma tensão de contacto máxima de 50V e uma corrente de protecção nominal IΔn indicada no disjuntor diferencial. (R(máx.)=50V/IΔn)
Se os propósitos duma ligação à terra são a protecção de infra-estruturas e a segurança de pessoas, as suas funções são as de dissipar correntes e as de eliminar as diferenças de potencial existentes entre diferentes superfícies por forma a garantir a sua equipotencialidade.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

CEM – Compatibilidade Electromagnética


Condição funcional ambiental de sistemas eléctricos e electrónicos de não sofrerem qualquer interferência electromagnética exterior que possam impedir o seu correcto funcionamento nem causar interferências que possam afectar o funcionamento de outros.

Condições ambientais de CEM são alcançadas a partir do conhecimento científico dos fenómenos electromagnéticos, da metrologia e da aplicação de técnicas e tecnologias específicas de concepção de dispositivos, filtragem, blindagem, protecção contra sobretensões e sistemas de ligação à terra.

As técnicas e tecnologias CEM são aplicadas, a montante, na concepção de dispositivos e equipamentos e, a jusante, em sistemas eléctricos, electrónicos e de telecomunicações nos processos de geração, transmissão e distribuição e em instalações de edifícios, veiculos, barcos e aeronaves.

São também condições CEM, assegurar a protecção e a segurança da população em geral contra descargas eléctricas, electrocussão, queimaduras ou explosões em instalações com equipamentos eléctricos de telecomunicações.